Novidades
Ensaio
Comparativo
Frente-a-Frente

Actualidade
Desporto
Especial
Salões
  Os mais rápidos
Automóveis do futuro
Marcas centenárias
Os mais inovadores
  Geral
Desporto Automóvel
Segurança
Técnica
 
 
  Microsites
Wallpapers
Autopédia
Toques e imagens



 
XL > AutoMotor > Ensaio > Mitsubishi Lancer Evolution VII
 
A Mitsubishi criou o que muitos julgavam impossível: um desportivo ainda melhor que o Lancer Evolution VI. Chama-se, naturalmente, Evolution VII e é um dos mais temíveis e venerados devoradores de asfalto (e terra) de que há memória. Foi, por isso, que neste ensaio andámos acima das nuvens...
POR Bruno Castanheira - FOTOS Kevin Knight
MAIO 2002
 
Acima das nuvens
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesA favor/contra
 
É o veículo produzido em série mais próximo que existe de um carro de ralis. Chama-se Evolution VII, e é o último membro do clã Lancer. É desenvolvido pela Mitsubishi, e tanto a mística como a adoração que ele reúne devem-se, em grande parte, aos feitos de Tommi Makinen no Mundial de Ralis. É um modelo especial em todos os sentidos.


Objecto de culto
As cabeças viram-se na nossa direcção, as conversas ficam em suspenso, nos cruzamentos temos sempre prioridade, nos semáforos somos o centro das atenções. Os condutores dos Lancer "normais" esticam-nos o polegar e os proprietários dos Evolution VI cumprimentam-nos como se nos conhecessem há anos. São estas as reacções mais frequentes à presença do Evo VII, um verdadeiro objecto de culto.

Face ao VI, o Evo VII é um pouco menos exuberante, mas mais elegante e igualmente agressivo. A remodelação estética efectuada nos grupos ópticos, farolins e pára-choques confere-lhe um ar mais actual e apelativo.

Cada detalhe exterior, que muitos consideram exemplar no que ao tuning diz respeito, tem uma função tão concreta quanto necessária. As entradas de ar no capot (em alumínio) destinam-se a refrigerar o motor. A deslocação da chapa de matrícula do centro do pára-choques dianteiro para o lado do condutor deveu-se à necessidada de alimentar, correctamente, o enorme intercooler, montado abaixo do radiador.

Os imponentes alargamentos dos guarda-lamas são indispensáveis para albergar as jantes de 17 polegadas, revestidas por pneus Michelin Pilot Sport, de medida 235/45. A enorme asa traseira, passível de regulação, serve para manter o eixo traseiro colado ao chão o mais possível. A saída de escape oval destina-se a servir as necessidades do motor.

O sistema de travagem contempla discos ventilados nas quatro rodas, mordidos por maxilas Brembo pintadas de vermelho. As minissaias laterais, a aplicação escura que envolve as molduras dos vidros e a antena no tejadilho são os adereços que completam o visual agressivo e respeitável deste super-Lancer.

O interior foi o que mais alterações registou face ao Evo VI. O ambiente sóbrio e pobre que caracterizava o modelo antecessor deu lugar (finalmente) a uma decoração que condiz com as aptidões e vocação deste desportivo.

O volante Momo de três braços, forrado a pele com costuras a azul, tem uma pega perfeita e regula em altura. Os bancos desportivos Recaro oferecem um encaixe vertical perfeito, sendo o do condutor também regulável em altura. O punho da alavanca da caixa, forrado a pele e com costuras a azul, ocupa uma posição muito boa. Os pedais estão bem posicionados. O apoio para o pé esquerdo não foi esquecido.

A visibilidade é boa para todos os ângulos (apesar de a asa traseira não permitir ver, a uma determinada distância, o veículo que nos segue). A colocação dos comandos secundários não merece qualquer crítica. O posto de condução é simplesmente perfeito.

O interior está incomparavelmente melhor face ao do Evo VI. Ao ambiente desportivo junta-se um excelente posto de condução
Os mostradores do painel de instrumentos têm um grafismo vermelho sobre fundo preto. Do lado esquerdo do volante existe um comando que permite seleccionar uma das três programações predefinidas para o diferencial central: asfalto seco (tarmac); gravilha, terra ou asfalto molhado (gravel); pisos de neve e gelo (snow). Ao pé do travão de mão existe um comando que permite refrigerar o intercooler. Ao contrário do anterior, onde o condutor efectuava essa operação premindo o respectivo botão (não recomendável por períodos superiores a 20 segundos), no Evo VII existe também um modo totalmente automático para essa função, bastando, para tal, premir a respectiva extremidade do botão, altura em que ficará acesa no painel de instrumentos uma luz verde.

Espaço, qualidade, equipamento, design e arrumação são outras áreas que agradam no interior. As luzes de leitura são várias, as pegas no tejadilho também (que úteis que elas são...) e a mala está em perfeita consonância com uma utilização familiar. Tanto a suspensão como os bancos são duros mas, ainda assim, o Evo VII mantém uma réstia de conforto.


Expresso do oriente
Suspensão firme, pneus largos de perfil baixo, caixa manual de cinco velocidades (deveria ser mais rápida e precisa), tracção integral permanente com dois diferenciais de escorregamento limitado (à frente e atrás, para além do central com regulação do inte-rior) e motor turbo de 280 cv e 353 Nm de binário. São estes os principais ingredientes deste "expresso do oriente".

A direcção é extremamente precisa e directa (a brecagem é reduzida). Os travões impressionam pela potência e resistência à fadiga, o ABS de afinação desportiva consegue diferenciar uma situação de travagem dos momentos em que é necessário garantir mais tracção. Os pneus revelaram-se uma boa escolha, mesmo em piso molhado, onde a vantagem deste Evo VII face ao VI é mais notória (isto para além de a frente ter ganho precisão e estabilidade e da insonorização ter melhorado).

A tracção total é responsável pelo desempenho dinâmico eficaz e irrepreensível. Inicialmente, nota-se uma tendência para a subviragem em curva, facto que, milésimos de segundo depois, é anulado pela traseira, de forma elegante e perfeitamente controlada. É nestas alturas que a intuição nos diz para travar e a lógica diz-nos para continuar a acelerar, saindo em potência com as duas mãos bem agarradas ao volante.

À medida que os minutos vão passando (e o número de depósitos de combustível consumidos aumentando…), aprende-se a travar cada vez mais tarde, a acelerar cada vez mais cedo e a curvar cada vez mais depressa, ao ponto de ser o bom senso (ou uma chamada de atenção de algum passageiro com menos sangue-frio), a aconselhar moderação. Nos pisos de terra ou gravilha, é vantajoso balancear a carroçaria e desequilibrar a traseira: obtém-se mais gozo e conseguem-se trajectórias mais próximas das de Tommi Makinen.

Com o explosivo motor turbo de 2,0 litros, o Evo VII atinge velocidades proibitivas com a maior das facilidades. A voz grossa do motor é sublinhada pelo gargarejar do turbocompressor (cuja turbina é em alumínio e titânio), ao ritmo que os 1380 kg de peso do conjunto avançam e as cabeças dos ocupantes se colam ao banco.

É impressionante a indiferença que se sente face à esmagadora maioria dos automóveis que connosco se cruzam na estrada. É difícil explicar o sentimento de total desprezo face ao Código da Estrada. É tudo isto e muito mais que o Evo VII transmite a quem com ele priva diariamente (nem que seja só por três dias...). Parar para reabastecer é uma tarefa tão assídua como fechar a porta depois de nos sentarmos ao volante.

Não é acessível, mas vale bem o preço. É, no mínimo, um desportivo tão impressionante quanto especial. Até conduzirmos o Subaru Impreza WRX STi de 280 cv, este é, sem dúvida, o melhor e mais emocionante automóvel da sua categoria. É um verdadeiro carro de ralis produzido em série. Parabéns, Mitsubishi!
 
 


ADSL.XL
Classificados
Siva Online

A banda larga com tráfego Ilimitado
Classificados auto do Correio da Manhã
Volkswagen, Audi, Skoda

Contactos
Assinar a revista

Copyright © . Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas S.A.. Consulte as condições legais de utilização dos web sites da Investec.